A ECOCARDIOGRAFIA EM CASOS ESPECIAIS – PARTE 4

FLUXO DE CORONÁRIAS E RESERVA DE FLUXO CORONARIANO

Aplicações do método

Cabe aqui uma importante questão: qual a utilidade prática da análise do fluxo das coronárias?

Devido a ser uma técnica de mais difícil aprendizado, sua utilização é pouco divulgada, mas pode ser bastante útil em condições especiais.

  • Avaliação da RFC em conjunto com eco de estresse em pacientes com suspeita de doença coronária, com teste ergométrico negativo e eco de estresse inconclusivo. A presença de RFC normal, apresenta grande valor preditivo negativo (Figura 15).
Figura 15. RFC do ramo descendente anterior normal. Este resultado apresenta alto valor de normalidade da árvore das coronárias, necessitando ser realizado na porção mais distal possível do vaso.
  • Diagnóstico diferencial das anomalias da contratilidade septal em pacientes com BRE. Nesta condição a ecocardiografia de estresse convencional pode não ser útil para distinguir assincronismo septal de hipocinesia, principalmente em pacientes sintomáticos com suspeita de doença arterial coronariana, onde o teste ergométrico não é diagnóstico. Pacientes com BRE sem lesão coronariana apresentam reserva de fluxo coronário normal enquanto uma reserva coronariana alterada indica lesão coronariana e correlaciona-se com maior morbimortalidade (1).
  • Avaliação de lesões intermediárias em artérias coronárias epicárdicas, que não alteram o ecocardiograma de estresse ou o teste ergométrico, principalmente quando associada ao estudo da RFC. Estenoses maiores de 50% já diminuem a RFC (2). Estenoses mais significativas diminuem o componente diastólico e aumentam o componente sistólico do fluxo coronariano (Figuras 16 e 17).
Figura 16. Paciente revascularizado com by-pass de torácica anterior para descendente anterior, com estenose importante após a anastomose mamário-coronária. Após a lesão observa-se importante diminuição do fluxo diastólico, predominando o fluxo sistólico.
Figura 17. Fluxo de artéria descendente anterior em paciente com estenose proximal, observando-se o predomínio do componente sistólico, indicativo de estenose coronariana importante.

Visualização direta da estenose coronariana. Esta situação ocorre ocasionalmente durante a pesquisa do fluxo de artérias coronárias, não apresentando valor diagnóstico, porém, sua presença indica importante lesão coronariana. Com Doppler em cores observa-se aumento da velocidade do fluxo no local da estenose, muitas vezes com aparecimento de aliasing. Esta condição dificulta a análise da RFC devido à alta velocidade do fluxo no local da estenose (Figuras 18 e 19).

Figura 18. Doppler espectral de anastomose mamário-coronária para ramo descendente anterior, com estenose de 90% no local da anastomose. Nota-se o fluxo turbulento de alta velocidade registrado no local, próxima dos 160 cm/s.
Figura 19. Estenose de artéria coronária direita, porção distal (ramo descendente posterior) com turbulência na região a estenose e fluxo turbulento com velocidade aumentada.

Bibliografia

  1. Cortigiani L, Rigo F, Gherardi S, et al. Prognostic implication of Doppler echocardiographic derived coronary flow reserve in patients with left bundle branch block. Eur Heart J 2013; 34:364.
  2. Lowenstein J, Presti C, Tiano C, et al. Existe relación entre el grado de restricción de la reserva coronaria diastólica de la arteria descendente anterior medida por eco-doppler transtorácico y la severidad de las lesiones angiográficas? Rev Argent Cardiol. 2001; 69:85.
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