Diretriz Brasileira de Valvopatias 2026: Insuficiência Mitral Secundária

Arq Bras Cardiol. 2026; 123(10):e20260796

Diferente da insuficiência mitral (IMi) primária, na qual existem alterações estruturais na valva mitral, na IMi secundária (ou funcional) não temos alterações anatômicas diretas no aparato valvar que justifiquem a regurgitação.

Nesses casos, os responsáveis pela insuficiência mitral são alterações da (1) mobilidade da parede, (2) tracionamento apical, (3) dilatação no anel e/ou (4) dilatação atrial.

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Estudos epidemiológicos mostram que a etiologia secundária corresponde a pelo menos 50% do total dos pacientes com IMi.

A IMi secundária quantificada como importante tem maior prevalência em pacientes portadores de insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção reduzida, acometendo 25% desta população, enquanto está prevalente em 10% dos pacientes com IC com fração de ejeção (FE) moderadamente reduzida e 4% com FE preservada.

Vale lembrar que mesmo a presença de IMi discreta a moderada já está associada a pior prognóstico em todos os espectros de IC. Em idosos, o prognóstico de pacientes com IMi secundária é ainda pior.

Os resultados adversos na IMi secundária estão associados a uma menor EROA calculada. No entanto, em concordância com as diretrizes norte-americanas, o atual documento opta por utilizar os mesmos critérios quantitativos da IMi primária (EROA ≥ 0,4 cm² e volume regurgitante ≥ 60 mL), tendo em vista os resultados dos principais estudos da atualidade.

Arq Bras Cardiol. 2026; 123(10):e20260796

Vale ressaltar, porém, que as últimas diretrizes europeias consideram valores diferentes para a quantificação da gravidade desses pacientes na presença de orifício regurgitante elíptico e em condições de baixo fluxo (respectivamente, EROA ≥ 0,2 cm² e volume regurgitante ≥ 30 mL).

AVALIAÇÃO ETIOLÓGICA: os mecanismos que levam à insuficiência mitral secundária são complexos e multifatoriais, sendo que a avaliação por imagem pode ser desafiadora e requer análise cuidadosa.

Arq Bras Cardiol. 2026; 123(10):e20260796

Basicamente, 03 mecanismos, muitas vezes coexistentes, podem conferir IMi secundária: disfunção ventricular sistólica – ICFEr com tracionamento dos músculos papilares; dilatação anular – IMi atrial associada à ICFEp e/ou fibrilação atrial; e deslocamento dos músculos papilares em doença isquêmica – também chamada de IMi isquêmica.

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Partindo da análise do perfil de pacientes e desfechos dos estudos COAPT e MITRA-FR, foi proposta uma definição de IMi terciária/desproporcionada como sendo aquela em que a IMi secundária é anatomicamente maior do que o esperado para a disfunção ventricular.

Não há complicadores específicos para pacientes com IMi secundária. Todavia, caso haja agravamento das alterações estruturais, como (1) aumento da PSAP, (2) dilatação progressiva do ventrículo esquerdo e/ou (3) queda da FEVE sem outra causa aparente, podemos considerar a valvopatia como responsável.

Arq Bras Cardiol. 2026; 123(10):e20260796

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