Tumores Cardíacos: mixoma

Mixoma

Os tumores cardíacos são extremamente raros, com prevalência em autópsias de 1:2.000 para os primários e 1:100 para os secundários, e uma relação de secundário/primário de 20:1.

Os primários podem-se desenvolver a partir do pericárdio, miocárdio, endocárdio e tecido conjuntivo não especializado dentro do coração; são classificados como benignos (mais de 90%) e malignos (raros em crianças).

Os secundários são metástases de qualquer tumor extracardíaco, disseminado por vasos sanguíneos, linfáticos, ou ainda, propagação direta de um tumor de uma região mediastinal próxima.

Tumor Primário BenignoTumor primário MalignoTumor metastático
Mixoma
– Lipoma
– Fibroelastoma papilar
– Rabdomioma
– Fibroma
– Hemangioma
– Teratoma
– Sarcoma
– Angiossarcoma
– Rabdomiossarcoma
– Osteossarcoma
– Linfoma
– Melanoma
– Pulmão
– Mama
– Ovários
– Rins
– Leucemia e linfoma
– Esôfago
Mixoma em AE: tumor benigno com comportamento maligno (obstrução)

A grande maioria dos tumores é diagnosticada incidentalmente durante um exame de rotina de imagem cardiovascular em paciente assintomático. Podem estar presentes em qualquer lugar no coração, com pedículo de implantação em qualquer superfície ou apresentar localização intramural, com sinais e sintomas frequentemente determinados por sua localização, em vez do tipo histológico.

Mixoma

Tumor cardíaco primário mais comum (70%), principalmente nos adultos entre a quarta e sexta décadas de vida, com discreta predileção para o sexo feminino.

Crescem a partir do endocárdio, geralmente são isolados e de aparecimento esporádico. Podem, contudo, ser de origem familiar ou fazer parte do complexo de Carney (neoplasia endócrina múltipla familial), com maior chance de recorrência após a ressecção.

75% dos mixomas estão localizados no átrio esquerdo, mais frequentemente fixados na fossa oval do septo interatrial, 20% no átrio direito, 5% nos ventrículos, sendo incomum nas valvas cardíacas e mais raramente em mais de um local.

Os dados diagnósticos mais importantes na ecocardiografia são sua localização no átrio esquerdo, ser pedunculado (10% são do tipo séssil) e com base de implantação na fossa oval. O Doppler espectral e colorido são úteis na avaliação da presença de obstrução (com padrão semelhante ao da estenose mitral ou tricúspide).

O diagnóstico diferencial deve ser realizado com trombo e a ressecção em bloco com margem de tecido normal (se anatomicamente possível) é o tratamento de escolha e também curativo. O risco geral de recorrência é de 13%, sendo muito mais comum no mixoma familiar do que no esporádico. O seguimento ecocardiográfico se dá com realização de exame um ano após a ressecção e, então, a cada 5 anos.

Características ecocardiográficas

Localização75% septo interatrial (fossa oval)
– 20% átrio direito
– 5% ventrículos
Morfologia– Massa móvel com ecogenicidade heterogêna
– 1-5 cm de diâmetro
Polipóide:
Mais comum
Dimensões maiores
Pedunculado com base estreita
Superfície lisa ou lobulada
Raramente fragmentam

Papilar ou Viloso:
Menos comum
Dimensões menores
Múltiplas vilosidades
Friáveis com risco de embolia
Quadro Clínico– Embolia
– Quadro obstrutivo
– Sintomas gerais (febre, perda ponderal, quadro atricular)

Mixoma pedunculado aderido ao AD, medindo 5.5 x 3.2 cm, prolapsando para o orifício valvar da tricúspide

Cateterismo: injeção em coronária esquerda demonstrando massa móvel neovascularizada com irrigação do ramo auricular esquerdo da artéria coronariana circunflexa

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Dulce Pereira de souza

Sempre com ótimas informações e revisões !Parabens!!!

Marcelo Allage

. Há pouco mais de 12 meses , fiz um eco pre operatório em uma pcte obesa mórbida ,42 anos , com plano de realização de cirurgia bariátrica .
No Ecocariograma, presença de grande massa sólida aderido ao Sia, prolapsando para dentro do VE na diástole ( paciente assintomática )
O tumor media 4,5×2,5cm
Uma vez identificado , conversei com a pacte sobre a necessidade de resseccao antes da cirurgia bariátrica eletiva .
2 dias após este exame , a paciente solicitou uma nova consulta , devido a um quadro súbito de parestesia e dor em membro inferior esquerdo
Examinei ela , e percebi ausência de pulso em arteria poplítea e pediosa e membro isquêmico ( mais dor )
Refiz o ecocardiograma , e o mixoma estava menor …
Encaminhado ao vascular , realizado embolectomia ( AP do trombo confirmou que era fragmento do mixoma )e posterior encaminhamento a cirurgia cardíaca para resseccao do mixoma , o qual foi feito sem intercorrências .

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