O que é Aneurisma do Septo Interatrial?

Caracterizado como redundância ou deformação sacular do septo interatrial associado a um aumento da mobilidade, o aneurisma do septo interatrial (ASI) é uma alteração cardíaca com relevância clínica ainda incerta.

Definido como uma incursão de 10 mm do plano do septo interatrial para o átrio direito ou átrio esquerdo ou uma incursão combinada para ambos os átrios de 15 mm, o ASI foi inicialmente considerado uma anormalidade congênita rara, contudo com o avanço e melhoria das técnicas ecocardiográficas, este achado tem sido visto mais frequentemente nos pacientes.

Sua prevalência, atualmente, é estimada em 2-3% da população, podendo ser uma alteração isolada ou associada a outras anormalidades estruturais, como forame oval patente, e tem sido associado a uma prevalência aumentada de acidente vascular encefálico (AVE) criptogênico e outros eventos embólicos, sobretudo quando há presença de shunt intracavitário (podendo ser inclusive multifenestrado).

Classificação

Tipo 1R – Incursão a partir do septo interatrial para o átrio direito

Tipo 2L – Incursão a partir do septo interatrial para o átrio esquerdo

Tipo 3 RL – Incursão para ambos os átrios, sendo maior para o átrio direito

Tipo 4 LR – Incursão para ambos os átrios, sendo maior para o átrio esquerdo

Tipo 5 – Incursão para ambos os átrios de forma equidistante

Até aqui, tudo bem… Mas, como o cardiologista clínico deve interpretar o achado de aneurisma de septo interatrial descrito no laudo ecocardiográfico ?

  • O aneurisma do septo interatrial pode atuar como foco arritmogênico, gerando taquicardias atriais em até 25% dos casos. Em estudo multicêntrico com 195 pacientes, Mugge A. Et Al. encontrou arritmia atrial em 47 pacientes (24%) e 28 pacientes (14%) apresentaram fibrilação atrial;
  • Embolia arterial é outra complicação possível. A presença ASI tende a provocar estase sanguínea no interior do átrio esquerdo, predispondo a formação de trombos. Embolia de fonte cardiogênica foi relatada em 20-52% dos casos de ASI, sobretudo na presença de shunt E-D (70% dos casos). Uma prevalência maior de ASI foi identificada em pacientes com acidente vascular encefálico comparado com a população geral (7.9% x 2.2%). Um estudo retrospectivo realizado por Mugge A. Et Al. reportou que pacientes com ASI, especialmente aqueles com shunts, tinham um histórico aumentado de eventos compatíveis com embolia arterial;
  • A presença isolada e não complicada de ASI não requer nenhum tipo de tratamento especifico, além de seguimento ecocardiográfico;
  • Opções terapêuticas para prevenção de AVE recorrente em pacientes com ASI, bem como de outras anormalidades do septo interatrial (incluindo FOP e CIA) são: terapia antiplaquetária ou anticoagulante, além de fechamento cirúrgico ou percutâneo do defeito;
  • Para prevenir embolia paradoxal recorrente na presença de shunt, é preferível o fechamento do shunt através da abordagem percutânea;
  • Em caso de arritmia atrial, tratamento específico deve ser realizado.

A seguir, alguns exemplos práticos de aneurisma de septo interatrial:

ASI Tipo 1R
Imagem em 3D – ASI Tipo 1R
ASI com presença de trombo
ASI 4 RL com shunt E-D
ASI 1R – macrobolhas
ASI Tipo 5

Referências

  • A look at atrial septal aneurysm, An article from the e-Journal of Cardiology Practice

Vol. 10, N° 17 – 03 Feb 2012

  • International Journal of Research in Medical Sciences. Jatav RK et al. Int J Res Med Sci. 2014 May;2(2):708-717. www.msjonline.org
  • Guidelines for the Echocardiographic Assessment of Atrial Septal Defect and Patent Foramen Ovale: From the American Society of Echocardiography and Society for Cardiac Angiography and Interventions (J Am Soc Echocar diogr 2015;28:910-58.)

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