Como calcular a Pressão Sistólica da Artéria Pulmonar?

O método ecocardiográfico mais preciso e confiável para estimar de forma não invasiva (indireta) as pressões em artéria pulmonar baseia-se na medida da velocidade do fluxo regurgitante da valva tricúspide.  

Esta velocidade reflete a diferença de pressão existente entre o ventrículo direito (VD) e o átrio direito (AD) e, pode ser calculada pela equação de Bernoulli:  

No corte, 4 câmaras na janela apical alinhamos o cursor com o jato regurgitante.   

Com o Doppler Contínuo: 

Eco_2005_Enilda_Fig2

Neste exemplo, o Gradiente Máximo VD-AD é de 25 mmHg. 

Quando adicionamos a esse gradiente a estimativa da pressão em AD, obtemos a PSAP.   

Na janela subcostal, avaliamos e medimos a Veia Cava Inferior: 

Estimativa da pressão em átrio direito (PAD) a partir da avaliação da veia cava inferior 

VCI Diâmetro (CM) Colabamento Inspiratório 
5 mmHg (normal) < 2,1  > 50% 
10 mmHg > 2,1 > 50% 
10 mmHg < 2,1 < 50% 
15 mmHg > 2,1 < 50% 

No exemplo acima, a VCI possui um colabamento inspiratório > 50% e mede < 2,1 cm. Logo, a PAD estimada é de 5 mmHg. Então: 

PSAP = Gradiente  VD-AD + PAD 

PSAP = 25 + 5 

PSAP = 30 mmHg  

Este método simples e facilmente reprodutível tem mostrado boa correlação com as medidas invasivas obtidas em laboratórios de hemodinâmica. 

CASO CLÍNICO 

Mulher, 71 anos, cardiopatia reumática, portadora de prótese biológica em posição mitral há 6 anos. Ela queixa de dispneia aos mínimos esforços.   

No caso acima, a análise do jato regurgitante com o Doppler Contínuo mostrou um gradiente VD-AD de apenas 17 mmHg.  

Devido a uma falha de coaptação dos folhetos da valva tricúspide e a um déficit contrátil importante do ventrículo direito, o gradiente do refluxo tricúspide encontra-se subestimado. Logo, o cálculo da PSAP através deste método não é possível. 

Em situações como esta, podemos calcular a PSAP a partir do Tempo de Aceleração (TAC) do fluxo pulmonar. 

No corte paraesternal transversal, ao nível da valva aórtica, alinhamos o curso com o fluxo de via de saída do ventrículo direito e posicionamos o volume amostra acima dos folhetos da valva pulmonar e, com o Doppler Pulsátil, encontraremos a curva abaixo.  

Note a presença de um entalhe no fluxo pulmonar durante a desaceleração. Tal alteração é  sugestiva de hipertensão pulmonar. Encontramos então um TAC 60 ms. 

Caixa de Texto

Logo, a PSAP estimada de 80 mmHg. 

O valor absoluto do TAC também é útil para inferir a presenção de Hipertensão Pulmonar. Um TAC < 80 é altamente sugestivo de Hipertensão Pulmonar.

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Fernando Ferreira de Melo

Os cursos da ECOPE são bons. Quero fazer pós-graduação em 2021.

Michel Antunes

Olá, segundo a diretriz de 2015 de avaliação das cavidades cardíacas, não seria mais adequado usar valores de 3mmHg para cava com diâmetro <2,1cm e colapso > 50%, 15mmHg para cavas > 2,1cm e colapso < 50% e nos demais casos 8mmHg?

José M. Del Castillo

Bom dia. Sim, seguimos a recomendação do guideline, que diz que:
Pressão de AD normal 0-5 mmHg (média 3 mm
Pressão de AD com leve aumento 5-10 mmHg (média 8 mmHg)
Pressão de AD aumentada 10-15+ mmHg (eles não colocam média, usam 15 mmHg).
Apenas não usamos a média, senão, no caso normal, o valor de 5 mmHg, ficando dentro da faixa recomendada.
Entretanto, no caso aqui apresentado essa regra não se aplica, pois o fluxo é desviado para a veia hemiázigos, normalmente de muito menor diâmetro que a VCI, que se dilata devido ao hiperfluxo, indo desembocar na veia inominada.

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