Defeito de Gerbode: Aspectos Ecocardiográficos.

Retirado de: https://echotalkescola.com/2017/07/18/defeito-de-gerbode/

Definido como uma comunicação entre o ventrículo esquerdo (VE) e o átrio direito (AD), o defeito de Gerbode é uma anomalida do septo interventricular rara (0.8% de todas as anomalias congênitas cardíacas), podendo ser de etiologia congênita (26,4% dos casos) ou adquirida (72,7% dos casos).

Vale lembrar que esta alteração só é possível porque a valva tricúspide normal é anatomicamente mais apical em relação à valva mitral.

Quando adquirida, pode ser resultante de complicação mecânica do infarto agudo do miocárdio (IAM), por endocardite infecciosa ou iatrogênica por procedimentos cirúrgicos ou intervenções percutâneas próximos ao septo membranoso do VD. A forma congênita pode se associar a outros defeitos estruturais, sendo a comunicação interatrial (CIA) a mais comum.

Anatomicamente, pode ser dividido em três tipos distintos:

  • Tipo I / Forma Indireta / Infravalvar: shunt VE para o VD e, em seguida, passa por uma comunicação na valva tricúspide até chegar no átrio direito, ou seja, a comunicação ocorre abaixo da valva tricúpisde;
Gerbode tipo I
  • TIpo II / Forma Direta / Supravalvar: o shunt está acima da valva tricúspide e se comunica diretamente, a partir do VE, com o AD;
Janela paraesternal eixo curto: Gerbode tipo II ou supravalvar
  • Forma intermediária: descrita por Sakakibara e Konono, possui componentes infra e supravalvares.

Agora vamos ilustrar com alguns exemplos da forma adquirida.

CASO 1: Paciente sexo feminino, 89 anos, admitida no pronto socorro após episódio de síncope. À admissão, apresentava eletrocardiograma com supra ST em parede inferior e troponina positiva, além de sopro holossistólico em borda esternal esquerda inferior, com irradiação para linha axilar média, evoluindo posteriormente com choque cardiogênico.

Ecocardiograma demonstrou aparato valvar mitral sem alterações, acinesia inferosseptal e inferior (segmentos basais), além de pseudoaneurisma no segmento basal da parede inferior com expansão sistólica característica. Ao Doppler, foi observado fluxo em direção ao VD e AD, a partir do VE, nas margens inferior e superior do pseudoaneurisma. Havia disfunção severa do VD.

CASO 2: homem, 65 anos, com passado de endocardite infecciosa há aproximadamente 30 anos (sem tratamento especificado), em programação de troca valvar cirúrgica por estenose aórtica sintomática. Ecocardiograma pré operatório demonstrou shunt VE-AD, com velocidade de pico de 5.3 m/s e gradiente de 113 mmHg, além estenose aórtica crítica, com área valvar de 0.4 cm2 e gradiente médio de 88 mmHg. ECO TE introperatório confirmou o diagnóstico prévio de valva aórtica bicúspide e o defeito de Gerbode, de etiologia presumida por endocardite infecciosa prévia.

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