Avaliação Padronizada da Valva Tricúspide: artigo de revisão

A insuficiência tricúspide (IT) permanece como uma das valvopatias mais frequentes na prática ecocardiográfica.

Casos classificados como discretos geralmente não necessitam de investigação adicional ou tratamento específico. As valvopatias moderadas e importantes, por sua vez, requerem avaliação anatômica e etiologia mais aprofundada, a fim de melhor compreender o mecanismo fisiopatológico.

Trago aqui um artigo de revisão publicado no periódico ABCImaging do DIC sobre uma abordagem padronizada na avaliação da valva tricúspide cujo conteúdo será dividido em diferentes postagens aqui no Blog.

Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2026;39(2):e20260034

A análise ecocardiográfica bidimensional é o exame inicial de escolha e deve ser realizada de forma protocolada, com identificação individual das cúspides, utilizando as principais janelas do ecocardiograma transtorácico.

A descrição de parâmetros complementares, como (1) função sistólica do ventrículo direito (VD), (2) deformação miocárdica por strain longitudinal, (3) diâmetros e volumes das câmaras direitas e (4) estimativa das pressões pulmonares, orienta o cardiologista quanto à possíveis estratégias terapêuticas e fornece informações prognósticas relevantes.

ANATOMIA GERAL: a valva tricúspide (VT) é a valva cardíaca mais apical, posicionada entre o átrio direito (AD) e o VD, com um orifício de maior diâmetro entre as válvulas atrioventriculares (normalmente 7-9 cm² em adultos).

Acervo Ecope

Sua inserção septal é tipicamente ≤ 10 mm (8 mm/m²) mais apical em relação ao plano da valva mitral, um achado clássico na ecocardiografia que auxilia na caracterização anatômica.

As cúspides são simétricas e apresentam variabilidade numérica, com cerca de 54% dos casos exibindo 03 cúspides e 46% subdivididos nos demais tipos: duas, quatro ou cinco cúspides. Estas são classificadas como anterior (ou anterossuperior), septal e posterior (ou inferior/mural).

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Cúspide Anterior: a maior em tamanho e mobilidade, estende-se da região infundibular anterior do VD à parede inferolateral, contribuindo para uma coaptação ampla durante a sístole, essencial para a função valvar.

Cúspide Septal: a menor e menos móvel, ancorada ao septo interventricular, com inserção mais apical, sendo relevante na avaliação de disfunções associadas a alterações ventriculares.

Cúspide Posterior: localiza-se ao longo da margem posterior do ânulo tricúspide, estendendo-se entre o folheto septal e a parede livre do VD, desempenhando papel na estabilidade durante as contrações ventriculares.

A coaptação ocorre no plano anular ou ligeiramente subanular (com altura do bordo de coaptação de 5-10 mm), funcionando como mecanismo de reserva em dilatações anulares moderadas. A ecocardiografia 3D é recomendada para mapear essas dinâmicas e identificar alterações patológicas, como tethering ou dilatação, que comprometem a competência valvar.

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O ânulo tricúspide apresenta geometria não planar, em formato de sela oval (semelhante à letra D), com dimensões dinâmicas que respondem à pré-carga e ao ciclo cardíaco: encurtamento de aproximadamente 10-15% nos diâmetros e 15-24% na área durante a sístole em indivíduos normais.

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Essa contratilidade anular, passível de avaliação pela ecocardiografia, pode ser caracterizada de forma mais detalhada por técnicas tridimensionais quando disponíveis, contribuindo para a compreensão da coaptação valvar e das tensões exercidas sobre o aparato subvalvar.

Medidas patológicas incluem diâmetro diastólico ≥ 40 mm ou ≥ 21 mm/m², obtidas preferencialmente na projeção apical 4C, com correção pelo índice de superfície corporal para fins prognósticos e de indicação de intervenção.

O aparato subvalvar é composto por cordoalhas menos distensíveis que as mitrais, distribuídas em padrões fanshaped (em leque), e três grupos musculares papilares: anterior e posterior (bem definidos, ancorados à parede livre do VD) e septal.

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Esses elementos ancoram as cúspides, prevenindo prolapso ou eversão durante a sístole, e são particularmente sensíveis à dilatação do VD, podendo determinar tethering e insuficiência funcional.

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