A ECOCARDIOGRAFIA EM CASOS ESPECIAIS – PARTE 1

FLUXO DE CORONÁRIAS E RESERVA DE FLUXO CORONARIANO

Introdução

A utilização da ecocardiografia Doppler para a detecção da porção média e distal das artérias coronárias surge na década de 90 com a incorporação de transdutores de alta frequência, com melhor resolução no campo proximal do ultrassom.

O registro do tronco das coronárias e do seu terço proximal foi realizado pela primeira vez por Weyman e Feingenbaum em 1976 (1). Em 1990 Ross et al (2), publicaram o registro e a técnica de obtenção de imagens e do fluxo da porção distal do ramo descendente anterior da coronária esquerda com transdutor de 7,5 MHz e Doppler pulsátil, sem a utilização de Doppler colorido, inexistente na época (Figura 1).

Figura 1. Ecocardiograma bidimensional e Doppler espectral do ramo descendente anterior da coronária esquerda obtido por Ross et al (2) com transdutor de 7,5 MHz sem cores.

Em 1996 detectamos pela primeira vez um fluxo coronariano com equipamento de ecocardiografia Doppler sem cores, utilizando um transdutor de alta frequência (3) (Figura 2).

Figura 2. Primeiro registro de fluxo do coronárias realizado em 1996 utilizando transdutor de alta frequência em equipamento sem Doppler em cores.

Em 1999 apresentamos o nosso primeiro trabalho sobre obtenção de fluxo de artérias mamárias em pacientes revascularizados (4) e em 2004 o primeiro trabalho sobre fluxo coronariano sem utilização de contraste (5).

Com a introdução do Doppler em cores e da tecnologia das harmônicas, o registro de imagens e fluxos das artérias coronárias tornou-se mais acessível, possibilitando o cálculo da reserva de fluxo coronariano com utilização de vasodilatadores (6).

Técnica com eco bidimensional e fluxo em cores

A técnica de obtenção do fluxo das artérias coronárias está bem detalhada no estudo de Krzanowski et al (7) (Figuras 3 e 4).

Figura 3. Técnica de obtenção do fluxo da descendente anterior nos níveis médio, distal e apical.
Figura 4. Obtenção do fluxo da coronária direita (porção distal) e da circunflexa (porção média).

Nós desenvolvemos nossa própria técnica para a obtenção do fluxo das coronárias, utilizando o corte paraesternal de eixo curto e o apical de 2 câmaras para o fluxo da descendente anterior, o apical de 3 câmaras para a coronária direita distal e o apical de 4 câmaras para a artéria circunflexa (Figuras 5, 6 e 7).

Figura 5. Paraesternal transversal ao nível dos papilares. ADA terço médio.
Figura 6. Apical 3 câmaras. ACD terço médio-distal (ramo descendente posterior).
Figura 7. Apical 4 câmaras. ACX terço médio da marginal esquerda.

O fluxo coronariano é de baixa velocidade e ocorre principalmente durante a diástole. Por esse motivo o equipamento precisa ser cuidadosamente calibrado para obter melhores resultados.

  • Usar as harmônicas na maior frequência possível (modo de resolução).
  • Usar o zoom para aproximar a região de interesse.
  • Diminuir o tamanho da caixa de cor para melhorar a resolução temporal.
  • Diminuir a escala da cor para uma velocidade aproximada de 20 cm/s.
  • Aumentar a persistência da cor para permitir a melhor visualização do fluxo.

Bibliografia

  1. Weyman AE, Feingenbaum H, Dillon JC, et al. Noninvasive visualization of the left main coronary artery by cross sectional echocardiography. Circulation 1976; 54:169.
  2. Ross JJ, Mintz GS, Chandrasekaran K. Transthoracic two-dimensional high frequency (7.5 MHz) ultrasonic visualization of the distal left anterior descending coronary artery. J Am Coll Cardiol 1990; 15:373.
  3. Castillo JM. Apresentado no XVII Congresso da SOCESP, Santos, SP, 1996.
  4. Castillo JM. Left mammary artery flow in coronary mammary by-pass”. 1st. Virtual Congress of Cardiology, 1999-2000 on Internet.
  5. Castillo JM. Fluxo das artérias coronárias pelo eco Doppler transtorácico sem utilização de contraste. XVI Congresso Brasileiro de Ecocardiografia. Belo Horizonte, MG, 2004.
  6. Sousa CG, Castillo JM, Mazzarollo C, et al. Análise comparativa do padrão de fluxo de artérias coronárias nas hipertrofias miocárdicas secundárias e por mutação sarcomérica. Arq Bras Cardiol: Imagem Cardiovasc 2021; 34(1):eabc131.
  7. Krzanowski M, Bodzon W, Dimitrow PP. Imaging of all three coronary arteries by transthoracic echocardiography. An illustrated guide. Cardiovasc Ultrasound 2003; 1:16.
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