Tamponamento cardíaco

Tamponamento Cardíaco

O tamponamento cardíaco é um diagnóstico clínico, mas a avaliação ecocardiográfica da repercussão hemodinâmica do derrame pericárdico é indispensável na maior parte dos casos.

Antes de falar propriamente das alterações ecocardiográficas encontradas no tamponamento cardíaco, é preciso lembrar alguns conceitos da fisiopatologia desta alteração. Um conceito chave é que a relação entre o volume do derrame e a elevação da pressão intrapericárdica não têm um comportamento linear. Isto se dá em razão da propriedade de histerese do tecido pericárdico, que é capaz de acomodar quantidades variáveis de líquido, sem que haja uma elevação significativa da pressão intrapericárdica, ou seja, existe uma “reserva” pericárdica.

A “reserva” pericárdica é determinada pela preservação das propriedades elásticas do pericárdio e pela velocidade de instalação do derrame. Desta forma, derrames volumosos com instalação lenta e progressiva podem não ocasionar elevação significativa da pressão intrapericárdica a ponto de produzir tamponamento, ao passo que pequenos acúmulos de instalação rápida podem resultar em pressão intrapericárdica alta o suficiente para causar tamponamento fatal.

A reserva pericárdica determinada pela velocidade de instalação

Ao ecocardiograma, o tamponamento cardíaco é caracterizado pelo colapso das cavidades cardíacas. O átrio direito (AD) possui uma pressão inferior em relação às pressões intraventriculares, logo, seu colapso é um marcador sensível, mas com baixa especificidade. Dessa forma, é importante graduar o momento do ciclo cardíaco em que ocorre o colapso atrial (final da diástole é o período de menor pressão do AD), bem como sua duração. A especificidade desse achado aumenta quando acontece o movimento de inversão da parede livre na telediástole que se estende durante parte da sístole (diástole ventricular).

Colapso VD

O colapso do ventrículo direito (VD) consiste em um movimento de inversão da parede livre durante a diástole, quando a pressão intrapericárdica supera a pressão no VD na diástole ventricular.

Ao analisarmos a veia cava inferior, detectamos seu ingurgitamento com diminuição das variações respiratórias do seu diâmetro.

Em alguns casos, na presença de grandes derrames pericárdicos, o coração é visto com um movimento característico (swinging heart) dentro do saco pericárdico. Este achado se correlaciona com o fenômeno de alternância elétrica no eletrocardiograma.

Ocorre também variações dos fluxos transvalvares que são consideradas como uma exacerbação das variações normais dos fluxos intracardíacos. No tamponamento, a velocidade da onda E do fluxo transmitral será, no mínimo, 25% menor durante a inspiração quando comparado com a expiração. Do lado direito, ocorre o contrário: a velocidade do fluxo tricúspide na protodiástole será, no mínimo, 40% maior na inspiração que na expiração.

O sinais de tamponamento cardíaco ao Doppler relacionados com a variação respiratória são mais sensíveis que os critérios do modo bidimensional:

  • Aumento inspiratório da velocidade da onda E do fluxo de entrada tricúspide > 40%;
  • Redução inspiratória da velocidade da onda E do fluxo de entrada mitral > 25;
  • Aumento expiratório no fluxo diastólico reverso da veia hepática;
  • Redução da velocidade das veias pulmonares na inspiração;

Já o sinais de tamponamento cardíaco ao modo bidimensional são mais específicos em relação aos exames baseados no Doppler:

  • Colapso protodiastólico do VD;
  • Colapso do AD ou do AE na diástole atrial (sístole ventricular);
  • Veia cava inferior dilatada com perda da variação respiratória;
  • Interdependência ventricular;
  • Swinging heart;

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Alexsander da Silva Pretto

Muito bem escrito e documentado. Parabéns

ANA AECIA ALEXANDRINO DE OLIVEIRA

Excelente explicação, muito diático!

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