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Laudo: o cartão de visita do ecocardiografista (parte I)

Desde o primeiro documento da ASE (American Society of Echocardiography) sobre laudos em 2002, a ecocardiografia cresceu muito em conhecimento, abrangendo um portfólio de ciência atualizada cada vez maior e baseado em diretrizes, o que favorece que os laudos sejam cada vez mais consistentes, mas também sendo necessário o cuidado de tentar buscar a concisão sem deixar de ser preciso na definição diagnóstica.

Apesar das diretrizes abrangerem o laudo de várias modalidades de ecocardiografia, principalmente a da ASE 2025, esse texto vai focar na ecocardiografia transtorácica (ETT).

A princípio, deve-se ter em mente que um relatório de ecocardiografia de alta qualidade deve atender a quatro critérios, conforme proposto por Chao et al.:

– Completude (parecer completo);

– Concisão;

– Precisão

– Utilidade clínica.

Esses critérios, apesar de, por si só, já tenderem a ser auto-explicativos, vão ser recapitulados no decorrer dessa revisão.

Em 2002, a ASE com seu grupo de trabalho voltado para publicar recomendações para laudo ecocardiográfico, foi pioneira em padronizar os elementos básicos de um laudo de ecocardiografia com o objetivo de definir medidas e descrições essenciais, facilitar comparação de exames seriados, melhorar a comunicação entre profissionais e apoiar pesquisas, tendendo a dar uma maior uniformidade nas avaliações. Ela propôs ainda uma estrutura básica de laudo.

Após 23 anos, em 2025, a ASE voltou a reunir um grupo de trabalho que ampliou a avaliação para ecocardiografia transesofágica (ETE), ecocardiografia com estresse, além de abranger avaliação com Strain, 3D, agentes de contraste e inteligência artificial, uma avaliação mais ampla que trouxe ainda medidas e terminologias para essas múltiplas técnicas, como também detalhes de abreviações, acrônimos e definições para uniformizar a linguagem dos relatórios, como também incorpora achados de cardiopatias congênitas simples em adultos. Como essas medidas, terminologias, abreviações, acrônimos e definições constam em tabelas grandes e com muitos detalhes, vale a consulta dedicada para o dado de interesse. Segue o link para o arquivo da diretriz: https://www.asecho.org/guideline/guidelines-for-the-standardization-of-adult-echocardiography-reporting/.

Por fim, esse novo guideline se propôs a melhorar ainda mais a comunicação, além de melhorar também os laudos para uso em grandes bases de dados e estudos multicêntricos.

SUGESTÃO DE DADOS (POR PARTES) EM LAUDO DE ECOCARDIOGRAMA TRANSTORÁCICO COMPLETO

DADOS DO EXAME

A última diretriz recomenda um cabeçalho para cada uma das seguintes estruturas:

Na avaliação das valvas, vale destacar que a nomenclatura que opto, assim como no Manual de Ecocardiografia do Dr. Wilson Mathias Jr., mas a diretriz não detalha, seria de que as valvas semilunares (aórtica e pulmonar) tem “válvulas”, que as valvas atrioventriculares (mitral e tricúspide) tem “cúspides”, que as próteses biológicas tem “folhetos” e as próteses mecânicas mais modernas tem “discos”.

MEDIDAS

Ventrículo Esquerdo (VE)

Função Diastólica

Ventrículo Direito

Átrio esquerdo (AE)

Átrio direito (AD)

Aorta

Enfim, essa foi a primeira parte tratando de algumas das principais medidas a constar no laudo. Na segunda parte, vamos abordar as principais outras medidas, além de descrições e sugerir e o que constar na conclusão.

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