Degeneração Mixomatosa: a fisiopatologia por trás do aspecto algodonoso

A insuficiência mitral (IMi), segunda valvopatia mais comum mundo à fora, tem a forma degenerativa entre as possíveis e diferentes etiologias. Neste cenário, temos dois fenótipos distintos: deficiência fibroelástica e doença de Barlow. Embora os pacientes possam compartilhar características de ambos os fenótipos, existem diferenças histológicas entre estas duas condições.

A famosa degeneração mixomatosa é a grande marca da doença de Barlow e apresenta aspecto ecocardiográfico bastante conhecido. Mas, para além da descrição, você conhece os mecanismos fisiopatológicos por trás deste fenótipo degenerativo?

A valva mitral, como sabemos, possui dois folhetos valvares (anterior e posterior) os quais são divididos em segmentos (A1/P1, A2/P2 e A3/P3). O tecido valvar é constituído por três diferentes camadas denominadas (1) atrialis, (2) esponjosa e (3) fibrosa.

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A atrialis, como o próprio nome já sugere, é a camada voltada para a cavidade atrial e rica em fibras elásticas, promovendo elasticidade à valva.

Já a esponjosa corresponde à camada média e é constituída principalmente por proteoglicanos que, por sua vez, conferem flexibilidade para absorver vibrações e amortecer as ondas de choque causadas pelo fechamento valvar.

Por último, a camada fibrosa, voltada para a cavidade ventricular, é a parte mais grossa do folheto e rica em fibras colágenas que conferem força de tensão à valva.

No caso da doença de Barlow, a organização destas três camadas é comprometida. Há fragmentação das fibras de colágeno e de elastina, fazendo com que a camada esponjosa se expanda em razão do acúmulo de proteoglicanos, o que caracteriza a famosa degeneração mixomatosa, e infiltre a camada fibrosa.

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Assim, ocorre espessamento dos folhetos pela infiltração mixomatosa, mas também pela formação de tecido fibroso na face atrial, como também na face ventricular do folheto, porém em menor intensidade neste. É interessante destacar que o tecido fibroso que se forma a partir da degeneração mixomatosa fica localizado no topo do tecido original do folheto valvar.

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Ainda, esse tecido sobreposto pode conter vários compostos da matriz extracelular e sua formação é induzida sobretudo pelo estresse mecânico. Tudo isso result em alterações significativas das propriedades mecânicas da valva mitral.

Quando comparado com a deficiência fibroelástica, que também apresenta certo grau de degeneração mixomatosa pela análise histológica, a doença de Barlow apresenta de forma bem mais acentuada a desorganização das fibras colágenas, bem como um grau mais intenso de infiltração mixomatosa.

Em relação à análise das cordoalhas tendíneas, na doença de Barlow há um menor comprometimento dessas estruturas, justificando uma menor incidência de ruptura de cordoalhas quando comparado com a deficiência fibroelástica (nesta condição, há um aumento da espessura das cordoalhas assim como maior rigidez em razão do depósito de elastina e colágeno e expressão mais elevada de fibrócitos).

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Ecocardiograficamente, a degeneração mixomatosa se apresenta com um espessamento difuso dos folhetos, que se tornam redundantes, com prolapso de ambos os folhetos e de vários segmentos (scallops).

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