Cisto Hemático Intracardíaco: já ouviu falar?

Cistos sanguíneos (ou hemáticos) são raros em adultos e normalmente são observados em recém nascidos, com resolução espontânea até os 6 meses de vida na grande maioria dos casos. 

Acometem principalmente o aparato valvar, sendo o relato de cisto hemático na valva mitral descrito pela primeira vez em 1844. Em 1983, por sua vez, Hauser et al. descreveu pela primeira vez as características ecocardiográficas desta condição.  

Usualmente têm origem congênita, com regressão espontânea, e costumam ter evolução assintomática, sendo um achado incidental em exame de rotina. Embora menos frequente, podem ter origem após manipulação cirúrgica, pós trauma torácico fechado ou resultar de processo inflamatório endocárdico.  

Blood cysts of the cardiac valves in adults: Review and analysis of published cases
J Card Surg. 2021;36:4690–4698

Apesar de poder acometer qualquer valva cardíaca, o local mais frequente dos cistos é a valva mitral (sobretudo no folheto anterior), podendo causar regurgitação valvar por coaptação incompleta dos folhetos. Ainda, em alguns casos, pode causar obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo, à depender do tamanho e mobilidade (prolapso) do cisto.  

Cisto hemático no septo interatrial (localização atípica)

À ecocardiografia, se apresentam como estruturas com halo hiperecogênico e com região central ecoluscente, de tamanhos variados. As paredes são finas e com contornos regulares. O diagnóstico diferencial se faz com tumores sólidos, fibroelastoma, mixoma e vegetação.  

Mitral Valve Blood Cyst Diagnosed with the Use of Multimodality Imaging
CASE: Cardiovascular Imaging Case Reports June 2021

A ressonância cardíaca tem papel fundamental na caracterização do conteúdo hemático do cisto, sendo uma ferramenta importante para definição diagnóstica.  

Não há um consenso quanto ao manejo clínico, devendo cada caso ser individualizado, considerando aspectos como disfunção valvar, obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo, presença de eventos embólicos (raros) ou sintomas incapacitantes. A abordagem cirúrgica fica, portanto, indicada nessas situações citadas. 

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