Reserva de Fluxo Coronariano: como fazer

A incorporação de múltiplos parâmetros, além da avaliação da motilidade parietal, na ecocardiografia de estresse transforma esse método em uma ferramenta clínica poderosa e extremamente versátil. Além de ampliar seu poder diagnóstico, também acrescenta informações prognósticas relevantes e não redundantes.

Diversas publicações demonstram a importância da avaliação da reserva de fluxo coronariano (RFC) em diferentes cenários clínicos, e a Sociedade Europeia de Cardiologia recomenda seu uso rotineiro desde a diretriz de ecocardiografia de estresse de 2008.

A adição da avaliação do fluxo coronariano ao ecocardiograma de estresse, após treinamento adequado, não aumenta significativamente o tempo de execução do exame. Sua interpretação leva poucos segundos e é baseada na relação entre a velocidade coronária ao estresse e em repouso.

O valor discriminatório de 2,0 separa o normal do patológico. Todas as modalidades de estresse permitem a avaliação da RFC. A taxa de sucesso é maior nos estudos com vasodilatador (acima de 90%), seguida de dobutamina (por volta de 80%) e do exercício em bicicleta (70%).

Metodologia com vasodilatador – após realizar a captura de todas as imagens necessárias para a linha de base, registra-se a velocidade diastólica da DA o mais distal possível. Sem retirar o transdutor do tórax do paciente, mantendo a visualização da coronária continuamente no mesmo ponto e na mesma angulação, inicia-se a administração de dipiridamol na dose de 0,84 mg/Kg em quatro minutos. Registra-se, então a velocidade máxima obtida até um minuto após o término da infusão (quinto minuto do exame).

Em situações normais, a velocidade da DA duplica poucos minutos após o início da prova.

Metodologia com Dobutamina – diferentemente do protocolo com dipiridamol, no qual a DA é monitorizada continuamente, no teste com dobutamina, a velocidade da DA é aferida em repouso e, novamente, após o incremento de 50 batimentos em relação à frequência cardíaca basal e/ou quando se atinge 75% da frequência cardíaca máxima prevista, o que geralmente ocorre nas etapas de altas doses do fármaco.

Metodologia com exercício em bicicleta supina – a avaliação da RFC durante o exercício é mais desafiadora. À medida que a carga aumenta, a movimentação do tronco e a hiperventilação prejudicam a janela acústica e dificultam a visualização da DA.

Para operadores menos experientes, recomendamos uma estratégia análoga ao protocolo com dipiridamol: localizar a DA em repouso com o Doppler colorido e assegura sua visualização contínua no setor de imagem desde o início do exame. Essa abordagem favorece a mensuração da velocidade sempre no mesmo ponto e com a mesma angulação.

No entanto, a principal limitação dessa abordagem é a perda dos registros do exame bidimensional em baixa carga de esforço, particularmente úteis em estudos realizados na bicicleta/ciclomaca.

Outro enfoque, mais difícil do ponto de vista técnico, é iniciar a monitorização da DA durante o esforço imediatamente após a aquisição das imagens bidimensional em carga baixa, garantindo que a velocidade seja mensurada no mesmo ponto e com a mesma angulação utilizados em repouso.

RFC de ADA ao exercício. 1 Fluxo em repouso. 2 Velocidade diastólica de 36 cm/s. 3 Fluxo ao esforço (75W). 4 Velocidade diastólica de 92 cm/s. RFC de 2,55 (normal acima de 2) – Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2026;39(1):e20260006

Em indivíduos normais, a velocidade da coronária duplica já nas etapas iniciais do exercício (até 75 watts). Utilizam-se os mesmos conceitos aplicados ao protocolo com dobutamina em relação à frequência cardíaca para a avaliação da RFC, caso essa duplicação não ocorra rapidamente.

Vale destacar que, embora a avaliação da RFC na DA seja a mais utilizada, ela também pode ser realizada nas demais coronárias, contudo, a taxa de sucesso tende a ser menor.

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