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Trabalho Miocárdico Pode Predizer Desfechos na Estenose Aórtica Importante Assintomática?: subanálise do AVATAR Trial

Dois Trials randomizados, o AVATAR (Aortic Valve Replacement versus Conservative Treatment in Asymptomatic Severe Aortic Stenosis) e o RECOVERY (Randomized Comparison of Early Surgery versus Conventional Treatment in Very Severe Aortic Stenosis), demonstraram melhores desfechos nos pacientes com estenose aórtica (EAo) importante assintomática e que foram submetidos a troca valvar precoce comparados com aqueles em tratamento conversador.

Esses achados sugerem que os parâmetros clássicos definidores de intervenção, como sintomas relacionados à disfunção valvar ou diminuição da fração de ejeção (FE) do ventrículo esquerdo (VE), podem não ser tão sensíveis para esta decisão.

Recentemente, a análise do trabalho miocárdico foi validada como uma ferramenta ecocardiográfica de performance sistólica do VE incorporando o parâmetro pós-carga. Assim sendo, a análise deste recurso poderia ser útil no contexto da EAo, já que estamos diante de um cenário de variações interindividual e longitudinal da pós-carga do VE induzidas tanto pela estenose valvar quanto pela circulação periférica.

Portanto, foi avaliado a associação do índice global de trabalho miocárdico (GWI) e desfechos em pacientes assintomáticos com EAo importante e que foram randomizados para intervenção valvar precoce ou tratamento conservador.

JACC: CARDIOVASCULAR IMAGING VOL. 16, NO. 5, 2023

Esta análise incluiu todos os pacientes elegíveis (n = 86, idade média 67 ± 11 anos, 43% do sexo feminino) com EAo importante assintomática (gradiente médio > 40 mmHg, área valvar < 1 cm²), FE preservada (> 50%) e imagens factíveis/disponíveis para a análise do trabalho miocárdico.

O trabalho miocárdico foi derivado da análise do strain global longitudinal (SGL) do VE e a pós-carga ventricular esquerda foi estimada, de forma não invasiva, pela soma da pressão arterial sistólica (PAS) na artéria braquial com o gradiente médio (Gmed) do fluxo transvalvar aórtico, metodologia já validade para pacientes com EAo.

Durante o seguimento médio de 1.205 dias (IQR: 931-1.655), um total de 12 (14%) pacientes morreram, e adicionalmente 8 (9%) foram admitidos por descompensação de insuficiência cardíaca (IC).

Durante a análise, o ponto de 2.000 mmHg de GWI (pacientes com GWI ≤ 2.000 mmHg% x pacientes com GWI > 2.000 mmHg%) mostrou um aumento do risco de mortalidade por todas as causas (26% x 2%; P < 0.001) ou do composto com hospitalização por IC (42% x 5%, P < 0.001).

JACC: CARDIOVASCULAR IMAGING VOL. 16, NO. 5, 2023

Na análise multivariada por regressão Cox, apenas o SGL e o GWI se mostraram como preditores independentes de mortalidade por todas as causas (HR: 0.81 [95%IC: 0.66-0.99]; P = 0.045 e HR: 0.63 [95%IC: 0.52-0.76]; P < 0.001, respectivamente).

O GWI também permaneceu como preditor independente para ambos os desfechos no subgrupo de pacientes que foram submetidos a troca valvar aórtica (HR: 0.90 [95% CI: 0.82-0.99]; P = 0.036 e HR: 0.56 [95% CI: 0.61-0.86]; P = 0.001, respectivamente) ou que foram manejados de forma conversadora (HR: 0.42 [95% CI: 0.21- 0.87]; P = 0.02 e HR: 0.28 [95% CI: 0.11-0.71]; P = 0.008, respectivamente).

O GWI também mostrou uma significativa AUC, maior que a do SGL, para mortalidade de todas as causas (0.87 x 0.70, P = 0.034) e para o composto com hospitalização por IC descompensada (0.89 x 0.77, P = 0.039).

Tais achados parecem dar suporte para uma maior acurácia do GWI, como parâmetro preditor, comparado com SGL. Um valor de normalidade, em indivíduos saudáveis utilizados na análise (n = 20), de 1.965 ± 288 mmHg% foi observado.

Portanto, em pacientes com EAo importante assintomática e FE preservada, um GWI supranormal se associou a melhores desfechos, enquanto que valores normais ou reduzidos parecem identificar pacientes sob maior risco de desfechos desfavoráveis.

Vale ressaltar, porém, a amostragem pequena desta subanálise (55% da população original do AVATAR) e também a pequena quantidade de eventos durante o seguimento descrito como fatores limitantes do estudo. Contudo, é importante citar que as características basais dos pacientes avaliados foram similares as da população total do estudo AVATAR.

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