Estudos recentes mostram a importância cada vez maior da utilização da análise do strain do átrio esquerdo (AE), fase reservatório, nas doenças cardiovasculares. Contudo, o limite inferior da faixa de normalidade, entre os diferentes softwares utilizados, permanece indefinido.
Sendo assim, foi realizado uma meta-análise para tentar definir o limite inferior de normalidade do strain do AE (reservatório) para cada software comercialmente disponível no mercado.
M A Y 2 0 2 6 : 6 6 4 – 6 6 6
Foram analisados o strain do AE, a partir da janela apical 4C, utilizando o strain 2D (R-R) em indivíduos saudáveis com idade ≥ 18 anos, com uma amostragem ≥ 120 participantes para se evitar vieses relacionados à pequenas amostras, e com objetivo principal de determinar o limite inferior de normalidade da fase de reservatório.
Os seguintes cuidados foram adotados para evitar viés de amostragem e, assim, aumentar a acurácia dos achados da meta-análise: (1) estudos com < 120 indivíduos saudáveis foram excluídos, (2) o cálculo do valor combinado (a partir dos vários estudos) do limite inferior de normalidade para cada software específico não foi realizado quando apenas um único estudo estivesse publicado para um determinado software comercialmente disponível, (3) a heterogeneidade estatística entre os estudos foi analisada utilizando o teste Q de Cohrans e o teste I², (4) os vieses das publicações foram avaliados através dos testes de Egger e Begg, e (5) análises de subgrupos (sexo e idade) foram feitas apenas naqueles estudos com amostragens suficientes (≥ 120 indivíduos saudáveis para cada subgrupo).
Um total de 13.472 indivíduos saudáveis de 23 diferentes estudos foram avaliados, através dos quais um valor de 23% (95%IC: 22%-25%) para o limite inferior de normalidade foi obtido, a partir de diferentes softwares, incluindo EchoPac, TomTec e QLab.
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As diferenças do valor do limite inferior de normalidade entre os diferentes fabricantes não apresentaram relevância clínica (diferença relativa < 10%) ou significância estatística (p > 0.05).
Nos poucos estudos em que foi possível fazer a análise de subgrupo, apenas uma pequena diferença relativa (< 10%) em relação ao limite inferior de normalidade entre homens x mulheres e subgrupos relacionados a idade foi observada, com um valor de 23% para estes dois subgrupos.
Assim, para os achados deste meta-análise, o limite inferior de normalidade para o strain do AE nos softwares mais comumente utilizados foi de 23%, sendo consistente com as recentes recomendações do consenso da ASE para aplicações clínicas do strain.
of Echocardiography developed in collaboration with the European Association of Cardiovascular Imaging of the European Society of Cardiology. J Am
Soc Echocardiogr. 2025;38:985–1020.
Neste consenso, os valores de normalidades para o strain do AE citados incluem 39% para a fase de reservatório, 23% para a fase de conduto e 17% para a fase de bomba.
of Echocardiography developed in collaboration with the European Association of Cardiovascular Imaging of the European Society of Cardiology. J Am
Soc Echocardiogr. 2025;38:985–1020.
Há citação sobre os valores de normalidade encontrados nos principais estudos utilizados como referência em que o strain do AE considerado normal para indivíduos saudáveis foi de 30%-60%, com um limite inferior de normalidade de 23%. Ele reforça que há redução significativa dos valores com o aumento da idade independentemente do gênero na maior parte dos estudos.
of Echocardiography developed in collaboration with the European Association of Cardiovascular Imaging of the European Society of Cardiology. J Am
Soc Echocardiogr. 2025;38:985–1020.
O consenso clínico da ASE, no que diz respeito ao strain do AE, é que o parâmetro mais relevante do strain do AE de fato é a fase de reservatório, com os limites superior e inferior de normalidades a serem considerados sendo 60% e 23%, porém valores entre 23% – 30% devem ser considerados como limítrofes para anormalidade.
of Echocardiography developed in collaboration with the European Association of Cardiovascular Imaging of the European Society of Cardiology. J Am
Soc Echocardiogr. 2025;38:985–1020.
Graduado em medicina pela Universidade Potiguar (UnP). Possui residência em Clínica Médica pelo Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL (UFRN) e em Cardiologia pelo Procape – UPE. Porta o título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e é pós-graduado em Ecocardiografia, pela ECOPE.