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Estenose Aórtica Supravalvar: causas incomuns

A estenose aórtica (EAo) supravalvar é uma causa incomum de estenose em que ocorre estreitamento distal à valva aórtica (VAo). Na maior parte dos casos, constitui condição congênita e, classicamente, é dividida em 03 subtipos morfológicos: (1) em ampulheta, (2) membranosa e (3) hipoplasia de arco aórtico.

Embora a etiologia congênita se associe à síndromes genéticas, como Willians-Beuren, esta condição pode ter origem iatrogênica como complicação cirúrgica.

Vamos exemplificar …

Chen et al, CASE: Cardiovascular Imaging Case Reports, June 2026

CASO 01: Mulher, 55 anos de idade, com quadro de dispneia aos esforços. Sem comorbidades conhecidas.

Ecocardiograma demonstrou cavidade ventricular esquerda com diâmetros normais e função sistólica preservada, contudo notava-se aumento da velocidade de pico e dos gradientes transaórticos, além de espessamento da VAo.

A área valvar aórtica foi estimada em 0,68 cm² (0.4 cm²/m²) pela equação de continuidade, com DVI de 0,25. Havia também refluxo aórtico leve a moderado. A raiz de aorta e a aorta ascendente apresentavam diâmetros normais.

Tomografia computadorizada (TC) mostrou valva aórtica trivalvular, com espessamento dos folhetos e abertura reduzida, além de discreto estreitamento acima da junção sinotubular. O diâmetro mínimo e área no nível do estreitamente supravalvar foram de 11.7 mm e 1.4 cm², respectivamente.

Chen et al, CASE: Cardiovascular Imaging Case Reports, June 2026
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Chen et al, CASE: Cardiovascular Imaging Case Reports, June 2026

O diâmetro da junção sinotubular era de 16,3 mm e não haviam sinais de coarctação ou outras anomalias congênitas. As artérias coronárias não apresentavam obstrução significativa.

A paciente, portanto, apresentava indicação classe I para troca valvar aórtica e foi submetida ao procedimento de Ross.

CASO 02: homem, 41 anos de idade, com histórico de doença arterial coronária e passado de reparo valvar mitral robótico por insuficiência mitral (IMi) importante secundário a prolapso valvar. Ao final do procedimento, o fechamento do sítio da cânula de cardioplegia na aorta ascendente necessitou vários reparos de sutura em bolsa para hemostasia adequada.

Ecocardiograma realizado imediatamente após a cirurgia não documentou nenhuma anormalidade supravalvar. Contudo, exame de controle realizado após 06 meses demonstrou um estreitamento luminal na aorta ascendente de 1.90 cm, acima da junção sinotubular, coincidindo com o local de raparo pós cardioplegia.

A avaliação transesofágica mostrou fluxo turbulento na aorta ascendente, com velocidade máxima de 3.3 m/s e gradientes máximo de 44 mmHg e médio de 23 mmHg. O diâmetro da aorta ascendente na região do estreitamento foi estimado em 1.3 cm. A VAo apresentava-se com morfologia preservada e sem evidências de estenose valvar.

Chen et al, CASE: Cardiovascular Imaging Case Reports, June 2026
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Chen et al, CASE: Cardiovascular Imaging Case Reports, June 2026

TC confirmou os achados da ecocardiografia, com a mínima área da região de estreitamento de 1.3 cm². Como o paciente estava assintomático e a gravidade da estenose iatrogênica era moderada, optou-se por uma estratégia conservadora e seguimento ecocardiográfico a cada 06 meses.

Como visto, embora a etiologia congênita seja a principal causa de EAo supravalvar, outras condições menos frequentes podem ser possíveis, com destaque para a iatrogênica. Há de se ressaltar a importância a avaliação multimodalidade para o correto diagnóstico e adequada definição terapêutica.

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