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Efeito Venturi: o conceito por trás do SAM

O movimento sistólico anterior da valva mitral (SAM), embora possa ocorrer em outras condições, é um achado classicamente descrito nas formas obstrutivas da cardiomiopatia hipertrófica (CMPH). A obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo (VSVE) causada por este mecanismo pode ocorrer em até 70% dos pacientes com diagnóstico de CMPH, metade deles em repouso.

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Estudos iniciais sugeriam que a obstrução estaria relacionada com o efeito Venturi*, em que em uma via de saída estreitada pela hipertrofia septal, a aceleração do fluxo de sangue e a resultante queda pressórica poderiam levantar e deslocar a valva mitral anteriormente em direção ao septo.

*Fenômeno físico em que o um fluido em movimento aumenta sua velocidade e diminui sua pressão ao passar por um estreitamento em um duto.

Baseado no Princípio de Bernoulli, este efeito gera uma zona de sucção no ponto de menor pressão, atuando como um mecanismo de aspiração.

Ecocardiograficamente, temos um deslocamento anterior do segmento distal do folheto anterior da valva mitral em direção à VSVE. Esse movimento se dá de forma rápida e, assim, pode ser de difícil visualização pelo modo bidimensional. Através do modo-M, porém, este fenômeno fica evidente de forma mais clara em razão da maior resolução temporal.

Acontece que já foi documentado que o início do SAM precede a aceleração do fluxo sanguíneo na VSVE. Além disso, a velocidade média na via de saída no início do SAM é de aproximadamente 90 cm/s, o que seria insuficiente, segundo alguns autores, para criar o deslocamento valvar. Neste sentido, o efeito Venturi, por si só, não seria a única causa responsável pelo SAM e pela obstrução da VSVE.

Considera-se que outro mecanismo relacionado ao deslocamento anterior da valva mitral seja o “arrasto” da cúspide mitral. O abaulamento e o efeito de massa produzidos pela hipertrofia septal deslocam posteriormente a trajetória do fluxo ejetado pelo ventrículo esquerdo (VE), alinhando o ângulo da direção do fluxo às margens livres das cúspides da valva mitral, que é, então, “varrida” ou “arrastada” anteriormente em direção ao septo interventricular, provocando a obstrução.

Alterações morfológicas do aparelho valvar mitral podem contribuir para o SAM e obstrução da VSVE, eventualmente observadas mesmo na ausência de hipertrofia septal. Cenas para a próxima postagem …

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