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Avaliação da Insuficiência Mitral na Presença de Splay: revisão artigo – DIC

A avaliação ecocardiográfica da insuficiência mitral (IMi) é multiparamétrica e frequentemente desafiadora. O artefato conhecido com splay tem sido descrito como uma ferramenta adicional para estimar a gravidade da regurgitação.

Se quiser revisar sobre o tema, acesse esta postagem ...

Trago aqui o resumo do grupo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia cujo artigo foi publicado no periódico do DIC.

Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2026;39(2):e20260024

O termo significa “espalhar” e refere-se a um artefato de lobo (feixe) lateral que forma um arco horizontal no Doppler colorido. Esse mesmo fenômeno pode ser observado em outras valvopatias, como na insuficiência aórtica.

Em 2020, Wiener et al. descreveram que o splay esteve presente em 81% dos casos de IMi importante, chegando a 93% em jatos excêntricos, com prevalência apenas de 16% na IMi discreta. Verbeke et al, por sua vez, associaram o artefato a maiores volumes regurgitantes.

Uma largura de splay superior a 29 mm foi identificada como preditor independente de desfechos cardiovasculares adversos.

Embora sua presença isoladamente não denote IMi grave, o splay atua como um sinal de alerta (red flag) ao sugerir que a regurgitação possa ser maior do que a aparente, indicando a necessidade de uma revisão cuidadosa do exame transtorácico ou, eventualmente, complementação com estudo transesofágico.

Maiores evidências e avaliações sistematizadas são necessárias para estudar a melhor estratégia de incorporação desse dado na abordagem multiparamétrica da IMi.

O termo deste artefato remete a um arco horizontal formado pelo Doppler colorido, que se dispersa, sendo usualmente observado ao nível do plano valvar atrial, sem respeito aos limites anatômicos.

Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2026;39(2):e20260024

O transdutor de ultrassom não emite energia apenas na direção principal (eixo central do feixe), mas também em direções laterais, formando lobos secundários de menor intensidade. Quando esses lobos laterais encontram estruturas altamente refletoras, como paredes cardíacas ou válvulas, podem gerar ecos que são erroneamente posicionados pelo sistema de imagem como se fossem oriundos do eixo principal, resultando em artefatos visuais na imagem ecocardiográfica.

Como dito anteriormente, é possível observar este artefato em outras regurgitações valvares, como por exemplo na insuficiência aórtica (IAo).

Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2026;39(2):e20260024

No estudo de Wiener et al., publicado em 2020, foram analisados 200 casos de IMi documentados ao ecocardiograma transtorácico. Os achados destacam a presença de splay, sobretudo, nos jatos excêntricos, em que a prevalência atingiu 93% dos casos.

Tal sinal foi observado em jatos proto, meso, tele ou holossistólicos, em face atrial ou ventricular do anel mitral, na fração de ejeção (FE) ventricular esquerda preservada ou reduzida, nas diferentes etiologias e em diferentes marcas de ecocardiograma comercialmente disponíveis.

Documentou-se mais frequentemente nas janela apicais, mas foi observado também na janela paraesternal em eixo longo e eixo curto. A origem do sinal parece estar relacionada à taxa de fluxo sanguíneo por unidade de área.

Na presença de maior ganho, menor frequência ultrassonográfica e menor limite de Nyquist, observam-se maior prevalência e extensão desse artefato. Nesse estudo, a imagem harmônica teve pouco efeito no splay.

Em registo unicêntrico de Verbeke et al. na Bélgica, documentou-se prevalência de 27% do splay no Doppler colorido em 469 pacientes, correlacionando-se com valores mais elevados de orifício regurgitante efetivo, volume regurgitante e vena contracta.

Nesse registo, o splay foi mais prevalente e apresentou maior largura nos pacientes com IMi importante. Ainda, a largura do splay acima de 29 mm, segundo dados desta coorte, foi preditora independente de desfechos cardiovasculares e apresentou valor prognóstico adicional.

A presença deste artefato, portanto, serve como um sinal de alerta e deve nos direcionar para uma cuidadosa revisão do exame transtorácico.

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